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Democracia, Simulacro e Ignorância

Atualizado: 10 de mar. de 2025


Hesitação La Valse de Rene Magritte (Hesitation Waltz), 1955.
Hesitação La Valse de Rene Magritte (Hesitation Waltz), 1955.

Você já parou para pensar se o mundo em que vivemos é real ou apenas uma construção baseada em repetições de ideias e versões manipuladas da verdade? Em um tempo onde a fronteira entre o verdadeiro e o falso se torna cada vez mais frágil, entender o papel dos simulacros – ou seja, das realidades fabricadas – pode nos ajudar a compreender melhor o cenário político e social atual.

Essa ideia dialoga diretamente com a obra do filósofo Jean Baudrillard, que descreve os simulacros como representações que não possuem mais um vínculo com a realidade. Em outras palavras, é como se estivéssemos vivendo dentro de um mapa que não representasse nenhum território real. Aplicado à política, isso significa que uma democracia que conhecemos pode não ser exatamente o que pensamos que é, mas sim uma construção sustentada por repetições, discursos e preocupações coletivas que nem sempre refletem uma base concreta.

Assim, o que Baudrillard descreveu como um simulacro da democracia — uma ilusão de participação baseada em representações distantes da realidade — encontra eco na ideia de Ortega y Gasset sobre a "hiperdemocracia", onde a governança deixa de ser um processo estruturado e mediado por conhecimento especializado para se tornar um reflexo das narrativas mais ruidosas, independentemente de sua validade.

E onde entra a ignorância política nesse processo? Quando aceitamos versões fabricadas da realidade sem questioná-las, acabamos alimentando um sistema em que a verdade se torna irrelevante. Os simulacros tornam-se tão sofisticados que já não sabemos mais distinguir o que é autêntico do que é apenas uma construção conveniente. Isso abre espaço para a manipulação política e social, onde certas narrativas ganham força apenas porque são repetidas inúmeras vezes – um fenômeno que Baudrillard chamou de hiper-realidade.

No final das contas, a grande questão que fica é: estamos vivendo uma democracia real ou apenas uma versão simulada dela? E, mais importante, como podemos desenvolver uma consciência crítica para não nos tornarmos apenas peças nesse grande jogo de ilusões?




 
 
 

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