MINHA CIDADE É O PALCO: E OS LIVROS?
- Ricardo Vianna Hoffmann

- 22 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
Ricardo Vianna Hoffmann

"Viver é uma arte. E o palco é minha cidade"
(Música: Bruxque, letra de Juninho Tavares e Cleber de Limas)
(Enquanto escrevia, tocava na minha playlist a banda Etílico e Sedentos, cantando a música Bruxque. Por isso, você lerá no texto algumas partes da letra. Caso ainda não tenha ouvido a música, recomendo! É top! É “Bruxque”! Segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=t8HIHsw9tVA.)
A frase "MINHA CIDADE É O PALCO" ecoa em mim. Recebi um vídeo de uma mulher apaixonada. Sim, leitor. Ela, assim como eu, é amante dos livros. Somos bibliófilos. Mas, afinal, do que se trata o vídeo? Leia e descobrirá!
O vídeo retrata um espaço público onde, além de brinquedos, áreas para jogos e espaços para conversas, há uma prateleira com livros disponível para a comunidade. Essa iniciativa permite que os visitantes doem e peguem livros, incentivando a leitura de forma acessível e sem custos. A proposta é que os livros possam ser lidos no local ou levados para casa, com a expectativa de que sejam devolvidos ou repassados, promovendo a circulação do conhecimento. No entanto, o vídeo aborda de forma polêmica o "perigo" que esses livros poderiam representar para crianças, sem especificar quais obras seriam inadequadas ou os motivos para essa preocupação.
Contudo, no vídeo, o cidadão falava sobre o “perigo” dos livros disponíveis naquele local, que apelidei de uma “mini-mini biblioteca ao ar livre”. Ele alertava os pais sobre os riscos que esses livros poderiam oferecer às crianças, mas não especificava quais livros eram impróprios nem por que seriam considerados inadequados.
"Nem todo dia é dia certo! E quem se importa com o certo? E eu no meio da confusão" (Etílico e Sedentos).
Vamos refletir, leitor. Qual seria a intenção de gravar um vídeo alertando sobre o perigo de determinados livros sem apresentar evidências, títulos ou explicações? Advertir sem explicar deixa apenas o medo. Será que o objetivo era incutir medo nos pais? Afinal, o que é mais precioso para uma mãe ou um pai senão seus filhos?
Esse medo, no entanto, não faz nada além de desmotivar a leitura. Não é à toa que presenciamos tantos ataques aos livros (leia mais em: https://omunicipio.com.br/livros-e-cinzas-a-223-graus-celsius-um-alerta-sobre-censura-e-intolerancia-a-literatura/).
Talvez o objetivo do vídeo fosse apenas provocar esse temor, insinuando que o autor do alerta está salvando alguém. Quem sabe, ele acredita que todos devam pensar como ele, já que, supostamente, detém a única verdade. Será isso? Que loucura! Que piração! Como cantou a banda: “É locuraxi a dá cux pé!”
Termino com mais um trecho da música Bruxque:"Neste embalo vou vivendo coisa e tal. Apesar dos pesares... Salve Bruxque imortal."
Leitor, proteste contra esse tipo de “coisa e tal” e, “apesar dos pesares”, motive seus filhos a frequentarem bibliotecas e livrarias, teatros e cinemas, exposições e pinacotecas, museus e, claro, a ouvirem muita música.
Proteste já! Leia, leia e leia!
Pense nisso!




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